Resumo
A Seguros Unimed recebeu a médica israelense Dra. Tal Patalon, fundadora da Medãna, para uma palestra sobre medicina preditiva. Ela mostrou como o cruzamento de dados de saúde, hábitos e até informações climáticas pode antecipar doenças antes dos primeiros sintomas, com destaque para a queda no custo do sequenciamento genético e os limites éticos que devem guiar esse uso.
A Seguros Unimed recebeu em seu auditório, na última quinta-feira (13), em São Paulo, a médica israelense Dra. Tal Patalon, MD, LLB, MBA, especialista em medicina de família e inovações em saúde, além de fundadora e CEO da Medãna, plataforma de inteligência artificial voltada para a saúde. Em sua breve passagem pelo Brasil, ela apresentou o tema que também é o lema da própria empresa: “A Era da Medicina Preditiva: Genômica e Fronteiras Éticas na Assistência à Saúde Personalizada”.
A proposta da médica parte de uma pergunta prática: como transformar milhões de pontos de dados em decisões clínicas sem perder de vista o paciente? Para ela, a resposta passa pela colaboração entre três frentes que raramente conversam entre si. De um lado, a academia contribui com cientistas de dados, método de pesquisa e rigor analítico, mas sozinha não tem acesso aos dados clínicos reais.
Do outro, o hospital reúne médicos, pacientes e o prontuário eletrônico, porém nem sempre têm capacidade analítica interna para explorá-la. Já as empresas trazem tecnologia, velocidade e capacidade de escalar soluções, mas dependem de validação clínica para gerar valor real. É nesse ponto de encontro entre eles que a Medãna, criada em Portugal e já disponível em parte da Europa, busca viabilizar o sequenciamento genético por menos de cem dólares.
A saúde também se escreve fora do consultório
Cada paciente acumula milhões de data points ao longo da vida dentro do sistema de saúde. Para transformar esse volume em inteligência, a Dra. Patalon defende três condições inegociáveis: consentimento do paciente, anonimização rigorosa e uma organização de dados estruturada, que podem vir de registros médicos, mas também de outras fontes.
E é aqui que está um dos pontos centrais da sua fala: para ela, todos os dados de um paciente são dados de saúde, mesmo os que nascem fora de um consultório ou hospital. Hábitos alimentares, histórico de compras, inclusive o tamanho das roupas adquiridas, atividades registradas nas redes sociais: tudo isso carrega sinais relevantes para a medicina preditiva.
Como exemplo, a médica citou o cruzamento de dados climáticos com registros de pronto-socorro. Ondas de calor antecipam padrões de internação, e níveis de poluição influenciam crises de asma em pacientes específicos. Quando o padrão aparece antes do pico, é possível agir antes de o problema se instalar, fazendo realocação de equipes, alertando pacientes de risco e preparando leitos com antecedência.
Mas esse potencial vem acompanhado de um alerta. Como resumiu a própria Patalon durante a palestra: “com muita informação vem muita responsabilidade. Temos que ser muito cuidadosos com o que fazemos com esses dados”. Para ela, qualidade, ética e adequação cultural no uso desses dados são condições para que a inovação faça sentido.
Genoma por menos de 100 dólares: o rastreamento que chegou para todos
Um dos dados mais impactantes da apresentação foi sobre o custo do sequenciamento genético: de valores que já chegaram a milhões de dólares, hoje a análise já é feita na faixa de 50 a 80 dólares. Essa queda abre caminho para o rastreamento genômico em escala populacional e não mais restrito a quem já tem histórico familiar da doença.
O ponto crítico, segundo a médica, é que boa parte das pessoas com predisposição genética relevante não possui esse histórico conhecido. Esperar que ele apareça significa, muitas vezes, chegar tarde. É aí que entra o score de risco poligênico: uma ferramenta que permite estratificar populações inteiras e priorizar quem precisa de acompanhamento preventivo desde já, antes mesmo dos primeiros sintomas.
Ainda assim, a médica fez questão de reforçar um limite importante: predisposição genética não deve ser encarado como uma sentença, e sim como fonte de informação para orientar mudança de comportamento, rastreamento e plano de cuidado, mas nunca para gerar pânico no paciente.
A prevenção é o melhor caminho
Para ilustrar o argumento econômico da prevenção, a médica usou o exemplo do diabetes. Uma parcela enorme dos pacientes só chega ao diagnóstico quando as complicações já estão instaladas, o que encarece o cuidado para o paciente, para o hospital e para a operadora de saúde.
Rastrear cedo e intervir antes da complicação cria um cenário raro, em que os interesses de todos os lados se alinham: o paciente vive melhor, o sistema de saúde gasta menos e a operadora economiza recursos que seriam consumidos por um tratamento mais complexo.
Na prática, a medicina preventiva permite um acompanhamento mais personalizado: ao saber que existe chance genética de desenvolver diabetes ao longo da vida, o paciente pode buscar orientação médica antes que a doença avance, em vez de esperar pela idade recomendada para os exames de rotina da população em geral.
O paciente do futuro é protagonista da própria jornada
Para Patalon, o futuro aponta para um paciente que deixa de ser apenas destinatário passivo de decisões médicas e passa a atuar como gestor ativo da própria jornada de saúde, tendo acesso aos seus dados, insights personalizados e decisões compartilhadas com o médico.
Isso não significa bombardear o paciente com notificações. Engajamento real, na visão da médica, é entregar a informação certa, no momento certo, de um jeito que a pessoa consiga entender para que a decisão sobre a própria saúde também seja dela.
E, apesar de toda a sofisticação tecnológica apresentada na palestra, a médica encerrou com um lembrete simples: “você precisa dormir bem, comer bem e se exercitar. Nenhuma tecnologia substitui isso.”
E, segundo ela, o maior fator de impacto na saúde e na longevidade continua sendo a qualidade das relações humanas. A tecnologia, portanto, deve liberar o médico para olhar nos olhos do paciente, não substituir esse olhar, pois medicina é, no fim das contas, sobre conexão.
Encontros como esse reforçam um compromisso que já faz parte do dia a dia da Seguros Unimed: acompanhar de perto as transformações da medicina para oferecer cuidado cada vez mais próximo das necessidades reais de quem confia na gente. Conheça os planos e serviços da Seguros Unimed.



